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SAÍDA DE CAMPO NO DIA 23 JUNHO 2O1O COM O NOSSO PROFESSOR DR. JOÃO LEMOS
Como estava combinado,
ali junto ao Tribunal,
a nossa turma partiu,
às 10 horas do Funchal.
E lá fomos Monte acima,
a nossa terra admirar,
o professor foi incansável,
na maneira de explicar.
Dizia o nome das plantas,
e de algumas a sua idade,
foi um passeio educativo,
logo que deixamos a cidade.
E lá seguimos em frente,
até o Poiso e Arieiro,
estava um vento cortante,
mas soube bem o passeio.
Continuamos em frente,
agora por outro lado,
passamos no Ribeiro Frio,
aos nossos olhos um regalo.
As serras estavam floridas,
era a natureza em festa,
o roxo dos massarocos,
e o amarelo da giesta.
Ainda havia muitas outras,
mesmo à beira do caminho,
hortências de muitas cores,
estava tudo muito lindo.
Buganvílias e gerânios,
dava tudo um ar festivo,
muitas coroas de henrique,
ao longo de todo o caminho.
Chegamos à Penha de Aguia,
para a nova fajã admirar,
já toda cheia de plantas,
é a vida a recomeçar.
Quando o nosso carro parou,
mesmo sobranceiro ao mar,
ouvimos o nosso professor,
parecia uma terra de ancantar.
Lá seguimos adiante,
até bem perto do mar,
procurar a madeirite,
que foi fácil de encontrar.
Ali no Porto da Cruz,
paramos para almoçar,
até o Presidente da Junta,
nos veio cumprimentar.
Foi um dia bem passado,
para mais tarde recordar,
o almoço foi agradável,
não havia pressa em regressar.
Maria Conceição Alves Aluna da Universidade Sénior do Funchal
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África ll
SEGREDOS
Foi uns anos mais tarde em circunstâncias um tanto ou quanto estranhas que ouvi outra história, esta contada pela mãe de Artur. Já o marido tinha morrido, haviam decorrido dois anos. O nosso encontro foi casual. Ficara doente, e fora internada no mesmo quarto em que a tia Alzira estava já há algum tempo. A mãe pedira-me encarecidamente para fazer uma visita á tia Alzira pois previam que não aguentasse muito mais tempo. Como eu não gostava de hospitais e muito menos de fazer fretes protelei a minha ida o mais que pude. Para mim a tia Alzira não era uma pessoa muito querida. Mas a mãe todos os dias telefonava, para saber dela eu não teria outro remédio senão pôr-me a caminho. Entretanto telefonara a um médico conhecido que trabalhava no hospital. Disse-me que se tornava difícil saber o estado dela porque não era uma paciente da sua área, a única coisa que podia fazer era levar-me até ela. Tinha passado a hora da visita e começavam a servir as refeições. Quando entrei no quarto que me tinham indicado, reconheci logo a mãe do Artur, estupefacto fiquei de boca aberta lancei um olhar vago pelo quarto, aproximei-me e perguntei “Está aqui alguma senhora chamada Alzira?” Olhou-me triste e disse “levaram-na agora”. Olhei para a cama do outro lado e estava aberta com sinais de que estivera ali um corpo pesado, tinha ficado uma toca vazia abaulada como se um urso ali tivesse hibernado. Aludiu á tia Alzira com resignação, tratou de me animar, dizendo “é assim a vida menino”. Sentei-me em frente a ela na cama que também se encontrava vazia. Era a mãe de Artur o único ser vivo que se encontrava naquele quarto. Tinha deixado de pensar na tia Alzira. A mãe de Artur não me reconhecera, falava conformada “ É assim a vida menino”. Não me tinha reconhecido apesar de eu ter estado várias vezes lá em casa, era certo que já tinham passado alguns anos, não tinha mudado muito, a minha fisionomia devia ser a mesma o que é um facto é que não me reconheceu. Começou a falar de enxurrada e eu apático sem conseguir ouvir uma palavra, vi-a mover os lábios entendia-lhe as expressões e a única coisa que conseguia fazer era sorrir ou ficar apreensivo. Com certeza ela tentava atenuar a minha dor, mas eu já não pensava na tia. O meu pensamento tinha ficado preso a recordações do passado, pensava no Artur, fazia algum tempo que o não via. E quando comecei a ouvir som e a conseguir coordenar as suas palavras tinha ficado mais uma vez boquiaberto com o relato de uma história que nunca esperei ouvir.
“ Nasci numa Aldeia da beira...
Nasci numa aldeia perdida da Beira. Sempre vivemos do campo, pobres mas muito honestos. O isolamento deixava-nos a horas de caminho da Vila mais próxima. O meu destino seria na melhor das hipóteses, arranjar um rapaz das redondezas ou da própria aldeia e casar. Depois a vida? A vida seria viver para os filhos e trabalhar a terra que os nossos pais nos deixariam cultivar. Mas eu tive mais sorte, arranjaram-me o casamento com um rapaz que conheci através de um retracto que ele mandou de África. Namoramos por cartas e casamos por correspondência. Depois de casada lá parti eu á procura do meu homem a caminho de outras terras, atravessando o mar. Tive medo porque tudo era desconhecido. Nunca tinha visto o mar. E para lá do mar havia uma terra que me causava medo um receio maior que o de sentir-me só a caminho do desconhecido. E quando o barco atracou conheci pessoalmente o meu homem. Parecia mais pequenino e mais velho devia ser da tez morena. Senti-me mais segura.
Quando paramos em frente a um terreiro depois de temos passado horas na camioneta, disse-me apontando, Esta é a nossa casa. Observei uma casa rasteira, maior que as outras, com um alpendre e duas portas. Na primeira noite que dormimos juntos, como não podia deixar de ser, custou-me tanto. O nervosismo o cansaço e depois aquele cheiro. Havia um cheiro a catinga á mistura com o cheiro das frutas e dos legumes, das massas, do arroz e das batatas. O meu corpo permanentemente pegajoso e mesmo durante a primeira noite e durante muitas outras noites, senti-lhe a respiração que cheirava a homem, a tabaco e restos de comida. Possuiu-me em uns poucos minutos de desejo, senti entrar dentro de mim algo que me cortou, depois senti uma dor e apesar de já me ter esfregado com o Manuel pelos palheiros, nunca tinha sentido aquela coisa que me provocou uma dor e depois uma sensação de prazer que se esvaneceu no segundo seguinte. Tinham sido poucos minutos, felizmente, senti-me aliviada.
Deixei de sentir o peso do seu corpo, aliviada por se ter desvanecido o seu bafo a tabaco e alho. Nas outras noites as coisas melhoraram muito. Parecia que com o tempo atingia um pouco mais de prazer. Quando o Anselmo se ausentava por uns dias, sentia-lhe o cheiro a catinga das pretas com que se deitava. Por esse motivo é que ele ficava mais tempo em cima de mim a derreter em suor, até me provocar o orgasmo que me dava o verdadeiro prazer que demorei a sentir. Passou um ano e apesar do nosso esforço eu não ficava grávida. O Anselmo mandou-me a um médico. O médico achou que era devido ao período de adaptação, o resto estava tudo bem.
Ao meu homem nunca lhe passou pela cabeça que o problema fosse dele. Mas eu quase tinha a certeza que era dele. Porque o filho que tivemos... bem o filho que tivemos... que Deus me perdoe... mas o filho que tivemos não è dele. Ainda bem que nunca ninguém soube nada. Eu também a partir do momento em que fiquei grávida nunca mais vi o homem e mesmo que tivesse visto, jamais me deitaria com ele... Olhe sabe uma coisa, não sei se não deitaria... Ainda bem que ele não apareceu mais... A desgraça poderia ter sido pior... Fiquei muito tempo a pensar nele. Aquilo sim era um homem. Sabe se não tivesse traído o Anselmo, não lhe tinha dado a alegria de um filho. E agora que ele morreu já nada mais importa. O meu filho é que nunca pode saber disto. Não é que ele fosse muito chegado ao pai, mas ia ser difícil depois de tantos anos. Apesar de ter vivido mais com os avós e depois com os tios acho que gostava do pai. Como eu, sempre gostei do Anselmo.
Deu-me sempre boa vida e olhe, nunca desconfiou de nada apesar de eu ter ficado quase vinte anos presa àquela venda. Olhando a estrada á espera que aquele maldito goês um dia aparecesse. O Anselmo quando me via triste pensava que eram as saudades do nosso filho, mas não eram só as saudades do rapaz, que tínhamos decidido mandar para o Continente. Era também aquele fogo que me queimava as entranhas e que o Anselmo não conseguia extinguir nem quando se ausentava por uns dias. E quando se ausentava eu fantasiava outra vez recordando a primeira vez em que o Goês apareceu, perfumado pelo Oriente e me encantou com o seu charme ao qual não consegui resistir.
Quando fechava os olhos sentia os seus braços á minha volta, os calções caírem-lhe aos pés, o estrondo da fivela do sinto no chão de cimento e penetrar-me de encontro á parede. Voltou na noite seguinte e dormiu na mesma cama em que eu dormia com o Anselmo. Aquela noite tinha sido melhor do que todas as noites que eu tinha passado com o meu homem, na cama, durante aquele ano que vivemos juntos. E sempre que o meu marido se ausentava, lá aparecia o meu amante para me possuir no frenético desejo de uma paixão. Alguns meses depois fiquei gravida. O Goês veio mais uma vez e nunca mais voltou. Depois que lhe revelei o meu medo a minha angustia, cada vez que o Anselmo exibia a minha barriga para os clientes que o felicitavam. "Tenho a certeza que vai ser um rapaz". E foi um rapaz. Ainda bem que o Goês não voltou a aparecer. Maldito. Deixou-me os olhos pregados na estrada. Não apareceu nem pela curiosidade em saber se o miúdo se parecia com ele. Não veio nem pelo amor que fizemos.
E quando ficámos sem nada e tivemos que fugir por causa da independência, ainda o procurava por entre as pessoas que dormiam pelos cantos em volta do aeroporto esperando pelo voo salvador. E só quando voltei ao Continente e vi o meu filho prestes a casar, quase Doutor é que me apercebi que muitos anos tinham passado.
Esqueci de uma vez por todas aquele homem que não quero mais recordar. Agora que sou avó e nunca ninguém soube nada, espero morrer descansada. Continuo a pensar que fiz o melhor para mim e para todos.
Desejei-lhe as melhoras e saí sem me revelar.
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Africa l
LEMBRANÇAS
E para lá do mar tinha encontrado um País imenso, um Pais que por mais que o justificassem, não podia ser o nosso. Tão diferente de tudo o que conheci até então. África com o seu clima próprio o seu capim a savana as florestas, os animais selvagens e os seu habitantes, os naturais, os indígenas, não aqueles que como eu, tinham procurado fugir á miséria que o Continente, representava para a maioria das pessoas, para nós não seria o nosso Pais, era além do mais a nossa esperança a nossa liberdade e a fé no futuro. Para os indígenas sim seria o seu Pais, porque também eles diferentes na cor, na cultura e até na língua. Mas politicamente fazia parte do nosso Pais. Aquela imensidão de terra, povoada com todo o tipo de elementos bizarros. E para lá das cidades havia a selva com amontoados de cubatas, construídas junto às vias de comunicação que se rasgavam pelas pradarias imensas ladeadas pelas árvores que escondiam dramas de uma violenta ordem natural das coisas. Estradas infindáveis poeirentas que confluíam em encruzilhadas onde os povoados cresciam à medida que os colonos se movimentavam ocupando os espaços vazios, desde que eram despejados aos montões no cais de desembarque, juntamente com as bagagens inúteis, porque á medida que os homens se iam estabelecendo preocupavam-se também por garantir a troca das bugigangas das caravelas quinhentistas, pelo vil metal que garantisse a satisfação de uma ambição que os tinha feito atravessar o Oceano.
Aprendi a lidar com os naturais, eduquei-os para que me olhassem como a um igual, um igual mas mais desenvolvido mais poderoso. De forma que passaram a ver-me como a um Deus do qual necessitavam. A minha Venda era o ponto de união era o local onde toda a gente passava para se abastecer. As mulheres dos mineiros esperavam pelos maridos que voltavam de quinze em quinze dias. Vinham e pagavam as contas, o restante dinheiro vinham-me pedir para eu lhe depositar no banco. Voltavam sujos, mesmo os brancos pareciam negros, todos diferentes e todos iguais, encharcavam-se de bebida, no meu botequim que também era o banco que também era a mercearia que era também o correio. E todos os dias, distribuía a correspondência pelas mulheres que esperavam de quinze em quinze dias pelo dinheiro que os maridos depositavam no meu cofre. Venho pagar a conta do mês Sr. Anselmo. Eu recorria ao meu livro do Deve E Haver e fazia a conta: " cinco e quatro, nove e seis, quinze e vai um... Depois fazia a prova dos noves ao lado. Pagavam tudo e gastavam em bebida essencialmente em bebida. Faziam os filhos e partiam, para no dia esperado regressarem como animais, numa camioneta amontoados, aos gritos eufóricos.
Depois de ter assegurado o meu lugar, confiavam-me o dinheiro que restava, que eu depositava na cidade em seus nomes.
Casei por correspondência, com uma rapariga do Continente. Primeiro que ela se habituasse `aquela vida, foi um castigo, mas depois com o tempo, deixou de sentir o cheiro a catinga, deixou de pensar no calor. Ajudou-me bastante, aprendeu a lidar com o negócio e sempre foi respeitada por toda a gente. Até pelos camionistas que passavam a noite por ali a fim de satisfazerem as suas necessidades. As estradas eram infindáveis e precisavam de descansar, precisavam de uma mulher e as negras nunca tiveram complexos, foram sempre muito receptivas, muitas vezes a troco de coisas sem importância.
Quando nasceu o meu filho? À quando nasceu o meu filho foi o melhor dia da minha vida. Cresceu com os outros meninos a brincar junto à venda por baixo do embondeiro. Ainda bem que resolvi manda-lo para os Avós a fim de que estudasse no Continente e também porque a guerra começou nessa altura. E então tive medo, não é natural ter medo? Tive medo por ele não por mim. Era o nosso único filho, se eu tivesse outros, mas só tinha aquele, compreende. Apesar de eu sempre desejar ter outros mas Deus só me deu aquele. E as pretas? As pretas tinham tantos. Eu só tive um. Havia que protegê-lo por isso è que o mandei para os avós. Estava melhor na aldeia que ficava perdida na montanha, e podia ir á escola que ficava perto, depois não havia o perigo da guerra ou mesmo das feras, não havia o perigo das febres e todas aquelas doenças tropicais. Como aquela que me deixou incapaz de voltar a fazer um filho. Quanto ao negócio? O negócio prosperava, sempre fui uma pessoa respeitada, até que a independência... Olhe a independência, deixou-me sem nada. E tive que regressar
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FANTASMAS (Pensamentos aleatórios)
“Os esqueletos de que somos feitos é apenas pó das estrelas ”
No dia a dia das nossas vidas vamos passando as horas e os minutos procurando dar respostas ás necessidades fisiológicas do nosso organismo, através dos meios e dos conhecimentos que temos ao nosso alcance. È esta uma condição global, instintiva e natural; mesmo não pensando nisso, o nosso objectivo primeiro enquanto seres vivos, é procurar sobreviver. Depois vem o prazer e com ele um conceito de felicidade. Ao longo dos tempos fomos aperfeiçoando a sociedade para que em conjunto pudéssemos dar satisfação ás nossas necessidades. A economia como base negocial do, conhecimento alargado que nos fazia sentir a necessidade de experimentar coisas novas, viciou-nos no consumo. Numa escalada possessiva de quantidades que não faziam falta nenhuma, aperfeiçoámos um sentimento de inveja. Tudo porque sentimos ser mais importantes, mais merecedores e mais dignos que os outros adquirirmos mais poder com a escravatura. Dentro da sociedade os escalões hierárquicos insatisfeitos ambicionaram mais poder, agruparam-se em sociedades mais ou menos secretas segregando ainda mais o seu semelhante.
Um dia escrevi que as revoluções não nasciam do povo; nasciam da ganância de um grupo pelo poder. O povo é, foi e sempre será o móbil. Desde sempre é pelo bem-estar do povo que se fazem as revoluções. Mas ao longo dos séculos o povo continua a ser manipulado, mantido na ignorância por um quotidiano que não o deixa pensar, é esse povo alienado que julga ser a tolice permanente sinónimo de felicidade Um povo que se encontra escravizado a pagar impostos para sustentar uma democracia que os seus representantes esbanjam numa desfaçatez promíscua com os grandes grupos económicos. E como alguém disse “por detrás de um grande político está sempre o maior dos criminosos”. Também toda a nossa história foi escrita para enaltecer e manter classes privilegiadas como líderes do nosso destino. Nunca para julgar de forma imparcial os factos que nos omitem num festim de impunidade.
Chegamos á actualidade e constatamos que a maior parte do povo continua a ter dificuldade em sobreviver. Apesar de todas as pessoas terem uma opinião não existe consenso. Esquecem-se que contra factos não há argumentos. Apesar do tempo e de toda a inovação tecnológica evoluímos pouco como humanidade que se entreajuda. Continuamos a ter tendência para escravizar os nossos semelhantes. Cada vez mais se tornará notória essa escravatura dos tempos modernos!
O sistema feudal que trazemos impresso na mentalidade mesquinha será perpétuo pois todos nós aspiramos a um tratamento de excepção ao exigir vassalagem.
A ideia romântica do berço de ouro apenas persegue gente mal formada com manias de grandeza. Todos sabemos que sente mais necessidade de afirmação através de artifícios quem viveu a humilhação de um passado de exclusão e pobreza. O complexo de inferioridade é latente no sucesso dos que melhor se souberam abotoar.
Depois de uma série de anos a saque o País encontra-se á beira da guerra civil. Tal facto não parece incomodar ninguém. Se uns quantos iluminados continuam a não ver a gravidade da situação e num autismo puro de demagogia e falsas questões atiram areia par os olhos de quem já não quer ver ou mesmo deixou de pensar. Uma grande parte da população é alienada, e confunde progresso com jogos de computador, outros impotentes esperam por melhores dias. O sistema económico vigente esta moribundo mesmo assim há quem julgue conseguir fazer correr o filão por mais tempo. Mais ou menos todas as sociedades dos Países mais antigos se renderam ao sistema capitalista. Depois de ter caído o socialismo chegou a vez de um poderoso gigante cair, numa implosão que trará consequências desastrosas, mais para as gerações vindouras. A ganância dos intervenientes num processo tecnológico que nos tornará impotentes perante a maquina que converterá o nosso orgulho em desgraça. Resumindo. E tudo muito simples de entender. A aceitação do crescimento tecnológico com única fonte de progresso, restringiu-nos a razão. Numa corrida louca por modernizar os Países caímos nas garras de agiotas e especuladores. O preço a apagar era alto demais, exigia alem dos bens a vida das pessoas. Resistir era impossível. Tínhamos sido agarrados pela sociedade de consumo que nos asfixiava. Empresas públicas e privadas conseguiam criar riqueza á custa dos impostos, dos negócios virtuais e dos empréstimos que nos tornariam reféns da banca. Nesta cavalgada louca pelo poder dividimos a humanidade em dois mundos o dos ricos e fazedores de dinheiro e o dos pobres que se esforçavam por aceder ao mundo dos poderosos. Usam a esperteza saloia que parece resultar, que eles consentem num assobiar para o lado e nos dá a falsa ilusão do sucesso. O conhecimento reside no provar de tudo e não comer de nada, tal como a felicidade não é um estádio que se atingiu pleno e permanente, mas só e simplesmente um conjunto de momentos agradáveis que nos acompanham no dia a dia que vamos construindo sem saber até quando. Um dia os esqueletos que guardamos nos armários vão desaparecer connosco e então quer queiramos quer não todos faremos parte de um tempo e de um lugar que nos define.
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ANJOS E DEMÓNIOS
ANJO DO AMOR
Todo anafadinho
Vinha aquele anjinho
Da festa da Sra. da Conceição
E repousava à noitinha
No teu colo quente
Depois da chama ardente
Daquela paixão.
Todo diabinho
Aquele anjinho
Rebolava-te pelos lençóis
Chupava-te a língua
Tirava-te à míngua
Amachucava-te os caracóis



































