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Milan assegura jovem promessa do Barcelona
Carmona é extremo de 18 anos
O Milan contratou, esta sexta-feira, Adriá Pérez Carmona, jovem jogador das escolas do Barcelona. O extremo de 18 anos passa a fazer parte do plantel de reservas dos «Rossoneri», orientado por Giovanni Stroppa.
O futebolista foi formado na cantera do clube catalão, é internacional pelos sub-18 espanhóis e foi campeão europeu sub-17 em 2008, na Turquia.
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Alemanha: Ballack falha primeira convocatória rumo ao Euro-2012
Médio alemão ainda não está na melhor forma para Joachim Low
Michael Ballack é o grande ausente da primeira convocatória da Alemanha, com vista à dupla jornada de qualificação para o Euro-2012.O seleccionador Joachim Low disse que falou com o capitão alemão, ausente do Mundial devido a grave lesão, por telefone, naquele que considerou um contacto «bom e sincero» e no qual concordaram que o médio, de 33 anos, agora no Leverkusen, necessita ainda de recuperar a melhor forma para voltar à Mannschaft.
Para os jogos com a Bélgica e o Azerbaijão, Low chamou 17 dos 21 jogadores que conquistaram o terceiro lugar no Campeonato do Mundo. O guarda-redes Rene Adler, os defesas Heiko Westermann (Schalke 04) e Sascha Riether (Wolfsburgo), e o médio Christian Traesch (Estugarda) são as novidades, enquanto os mundialistas Arne Friedrich, Jerome Boateng, Piotr Trochowski e Dennis Aogo ficam de fora devido a lesão.
Convocatória da Alemanha
Guarda-redes: Rene Adler (Bayer Leverkusen), Manuel Neuer (Schalke 04) e Tim Wiese (Werder Bremen);
Defesas: Holger Badstuber (Bayern Munique), Marcell Jansen (Hamburgo), Philipp Lahm (Bayern Munique), Per Mertesacker (Werder Bremen), Sascha Riether (Wolfsburgo) e Heiko Westermann (Schalke 04);
Médios: Cacau (Estugarda), Sami Khedira (Real Madrid), Toni Kroos (Bayern Munique), Marko Marin (Werder Bremen), Thomas Mueller (Bayern Munique), Mesut Ozil (Real Madrid), Lukas Podolski (Colónia), Bastian Schweinsteiger (Bayern Munique) e Christian Traesch (Estugarda)
Avançados: Mario Gomez (Bayern Munique), Stefan Kiessling (Bayer Leverkusen) e Miroslav Klose (Bayern Munique)c -
Ramires estreia-se nas convocatórias do Chelsea
Médio diz-se preparado para a Liga dos Campeões
Ramires está convocado por Carlo Ancelotti para o embate do Chelsea frente ao Stoke City, em jogo da terceira jornada da Premier League.
O médio que os «Blues» levaram da Luz diz-se preparado para o desafio: «Se não estivesse preparado para esta nova etapa não tinha aceite. Sei o que me espera mas estou pronto. Vou trabalhar duro e estar bem fisicamente para pode fazer face à Premier League», disse, citado pelo site do clube londrino.
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África ll
SEGREDOS
Foi uns anos mais tarde em circunstâncias um tanto ou quanto estranhas que ouvi outra história, esta contada pela mãe de Artur. Já o marido tinha morrido, haviam decorrido dois anos. O nosso encontro foi casual. Ficara doente, e fora internada no mesmo quarto em que a tia Alzira estava já há algum tempo. A mãe pedira-me encarecidamente para fazer uma visita á tia Alzira pois previam que não aguentasse muito mais tempo. Como eu não gostava de hospitais e muito menos de fazer fretes protelei a minha ida o mais que pude. Para mim a tia Alzira não era uma pessoa muito querida. Mas a mãe todos os dias telefonava, para saber dela eu não teria outro remédio senão pôr-me a caminho. Entretanto telefonara a um médico conhecido que trabalhava no hospital. Disse-me que se tornava difícil saber o estado dela porque não era uma paciente da sua área, a única coisa que podia fazer era levar-me até ela. Tinha passado a hora da visita e começavam a servir as refeições. Quando entrei no quarto que me tinham indicado, reconheci logo a mãe do Artur, estupefacto fiquei de boca aberta lancei um olhar vago pelo quarto, aproximei-me e perguntei “Está aqui alguma senhora chamada Alzira?” Olhou-me triste e disse “levaram-na agora”. Olhei para a cama do outro lado e estava aberta com sinais de que estivera ali um corpo pesado, tinha ficado uma toca vazia abaulada como se um urso ali tivesse hibernado. Aludiu á tia Alzira com resignação, tratou de me animar, dizendo “é assim a vida menino”. Sentei-me em frente a ela na cama que também se encontrava vazia. Era a mãe de Artur o único ser vivo que se encontrava naquele quarto. Tinha deixado de pensar na tia Alzira. A mãe de Artur não me reconhecera, falava conformada “ É assim a vida menino”. Não me tinha reconhecido apesar de eu ter estado várias vezes lá em casa, era certo que já tinham passado alguns anos, não tinha mudado muito, a minha fisionomia devia ser a mesma o que é um facto é que não me reconheceu. Começou a falar de enxurrada e eu apático sem conseguir ouvir uma palavra, vi-a mover os lábios entendia-lhe as expressões e a única coisa que conseguia fazer era sorrir ou ficar apreensivo. Com certeza ela tentava atenuar a minha dor, mas eu já não pensava na tia. O meu pensamento tinha ficado preso a recordações do passado, pensava no Artur, fazia algum tempo que o não via. E quando comecei a ouvir som e a conseguir coordenar as suas palavras tinha ficado mais uma vez boquiaberto com o relato de uma história que nunca esperei ouvir.
“ Nasci numa Aldeia da beira...
Nasci numa aldeia perdida da Beira. Sempre vivemos do campo, pobres mas muito honestos. O isolamento deixava-nos a horas de caminho da Vila mais próxima. O meu destino seria na melhor das hipóteses, arranjar um rapaz das redondezas ou da própria aldeia e casar. Depois a vida? A vida seria viver para os filhos e trabalhar a terra que os nossos pais nos deixariam cultivar. Mas eu tive mais sorte, arranjaram-me o casamento com um rapaz que conheci através de um retracto que ele mandou de África. Namoramos por cartas e casamos por correspondência. Depois de casada lá parti eu á procura do meu homem a caminho de outras terras, atravessando o mar. Tive medo porque tudo era desconhecido. Nunca tinha visto o mar. E para lá do mar havia uma terra que me causava medo um receio maior que o de sentir-me só a caminho do desconhecido. E quando o barco atracou conheci pessoalmente o meu homem. Parecia mais pequenino e mais velho devia ser da tez morena. Senti-me mais segura.
Quando paramos em frente a um terreiro depois de temos passado horas na camioneta, disse-me apontando, Esta é a nossa casa. Observei uma casa rasteira, maior que as outras, com um alpendre e duas portas. Na primeira noite que dormimos juntos, como não podia deixar de ser, custou-me tanto. O nervosismo o cansaço e depois aquele cheiro. Havia um cheiro a catinga á mistura com o cheiro das frutas e dos legumes, das massas, do arroz e das batatas. O meu corpo permanentemente pegajoso e mesmo durante a primeira noite e durante muitas outras noites, senti-lhe a respiração que cheirava a homem, a tabaco e restos de comida. Possuiu-me em uns poucos minutos de desejo, senti entrar dentro de mim algo que me cortou, depois senti uma dor e apesar de já me ter esfregado com o Manuel pelos palheiros, nunca tinha sentido aquela coisa que me provocou uma dor e depois uma sensação de prazer que se esvaneceu no segundo seguinte. Tinham sido poucos minutos, felizmente, senti-me aliviada.
Deixei de sentir o peso do seu corpo, aliviada por se ter desvanecido o seu bafo a tabaco e alho. Nas outras noites as coisas melhoraram muito. Parecia que com o tempo atingia um pouco mais de prazer. Quando o Anselmo se ausentava por uns dias, sentia-lhe o cheiro a catinga das pretas com que se deitava. Por esse motivo é que ele ficava mais tempo em cima de mim a derreter em suor, até me provocar o orgasmo que me dava o verdadeiro prazer que demorei a sentir. Passou um ano e apesar do nosso esforço eu não ficava grávida. O Anselmo mandou-me a um médico. O médico achou que era devido ao período de adaptação, o resto estava tudo bem.
Ao meu homem nunca lhe passou pela cabeça que o problema fosse dele. Mas eu quase tinha a certeza que era dele. Porque o filho que tivemos... bem o filho que tivemos... que Deus me perdoe... mas o filho que tivemos não è dele. Ainda bem que nunca ninguém soube nada. Eu também a partir do momento em que fiquei grávida nunca mais vi o homem e mesmo que tivesse visto, jamais me deitaria com ele... Olhe sabe uma coisa, não sei se não deitaria... Ainda bem que ele não apareceu mais... A desgraça poderia ter sido pior... Fiquei muito tempo a pensar nele. Aquilo sim era um homem. Sabe se não tivesse traído o Anselmo, não lhe tinha dado a alegria de um filho. E agora que ele morreu já nada mais importa. O meu filho é que nunca pode saber disto. Não é que ele fosse muito chegado ao pai, mas ia ser difícil depois de tantos anos. Apesar de ter vivido mais com os avós e depois com os tios acho que gostava do pai. Como eu, sempre gostei do Anselmo.
Deu-me sempre boa vida e olhe, nunca desconfiou de nada apesar de eu ter ficado quase vinte anos presa àquela venda. Olhando a estrada á espera que aquele maldito goês um dia aparecesse. O Anselmo quando me via triste pensava que eram as saudades do nosso filho, mas não eram só as saudades do rapaz, que tínhamos decidido mandar para o Continente. Era também aquele fogo que me queimava as entranhas e que o Anselmo não conseguia extinguir nem quando se ausentava por uns dias. E quando se ausentava eu fantasiava outra vez recordando a primeira vez em que o Goês apareceu, perfumado pelo Oriente e me encantou com o seu charme ao qual não consegui resistir.
Quando fechava os olhos sentia os seus braços á minha volta, os calções caírem-lhe aos pés, o estrondo da fivela do sinto no chão de cimento e penetrar-me de encontro á parede. Voltou na noite seguinte e dormiu na mesma cama em que eu dormia com o Anselmo. Aquela noite tinha sido melhor do que todas as noites que eu tinha passado com o meu homem, na cama, durante aquele ano que vivemos juntos. E sempre que o meu marido se ausentava, lá aparecia o meu amante para me possuir no frenético desejo de uma paixão. Alguns meses depois fiquei gravida. O Goês veio mais uma vez e nunca mais voltou. Depois que lhe revelei o meu medo a minha angustia, cada vez que o Anselmo exibia a minha barriga para os clientes que o felicitavam. "Tenho a certeza que vai ser um rapaz". E foi um rapaz. Ainda bem que o Goês não voltou a aparecer. Maldito. Deixou-me os olhos pregados na estrada. Não apareceu nem pela curiosidade em saber se o miúdo se parecia com ele. Não veio nem pelo amor que fizemos.
E quando ficámos sem nada e tivemos que fugir por causa da independência, ainda o procurava por entre as pessoas que dormiam pelos cantos em volta do aeroporto esperando pelo voo salvador. E só quando voltei ao Continente e vi o meu filho prestes a casar, quase Doutor é que me apercebi que muitos anos tinham passado.
Esqueci de uma vez por todas aquele homem que não quero mais recordar. Agora que sou avó e nunca ninguém soube nada, espero morrer descansada. Continuo a pensar que fiz o melhor para mim e para todos.
Desejei-lhe as melhoras e saí sem me revelar.
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Africa l
LEMBRANÇAS
E para lá do mar tinha encontrado um País imenso, um Pais que por mais que o justificassem, não podia ser o nosso. Tão diferente de tudo o que conheci até então. África com o seu clima próprio o seu capim a savana as florestas, os animais selvagens e os seu habitantes, os naturais, os indígenas, não aqueles que como eu, tinham procurado fugir á miséria que o Continente, representava para a maioria das pessoas, para nós não seria o nosso Pais, era além do mais a nossa esperança a nossa liberdade e a fé no futuro. Para os indígenas sim seria o seu Pais, porque também eles diferentes na cor, na cultura e até na língua. Mas politicamente fazia parte do nosso Pais. Aquela imensidão de terra, povoada com todo o tipo de elementos bizarros. E para lá das cidades havia a selva com amontoados de cubatas, construídas junto às vias de comunicação que se rasgavam pelas pradarias imensas ladeadas pelas árvores que escondiam dramas de uma violenta ordem natural das coisas. Estradas infindáveis poeirentas que confluíam em encruzilhadas onde os povoados cresciam à medida que os colonos se movimentavam ocupando os espaços vazios, desde que eram despejados aos montões no cais de desembarque, juntamente com as bagagens inúteis, porque á medida que os homens se iam estabelecendo preocupavam-se também por garantir a troca das bugigangas das caravelas quinhentistas, pelo vil metal que garantisse a satisfação de uma ambição que os tinha feito atravessar o Oceano.
Aprendi a lidar com os naturais, eduquei-os para que me olhassem como a um igual, um igual mas mais desenvolvido mais poderoso. De forma que passaram a ver-me como a um Deus do qual necessitavam. A minha Venda era o ponto de união era o local onde toda a gente passava para se abastecer. As mulheres dos mineiros esperavam pelos maridos que voltavam de quinze em quinze dias. Vinham e pagavam as contas, o restante dinheiro vinham-me pedir para eu lhe depositar no banco. Voltavam sujos, mesmo os brancos pareciam negros, todos diferentes e todos iguais, encharcavam-se de bebida, no meu botequim que também era o banco que também era a mercearia que era também o correio. E todos os dias, distribuía a correspondência pelas mulheres que esperavam de quinze em quinze dias pelo dinheiro que os maridos depositavam no meu cofre. Venho pagar a conta do mês Sr. Anselmo. Eu recorria ao meu livro do Deve E Haver e fazia a conta: " cinco e quatro, nove e seis, quinze e vai um... Depois fazia a prova dos noves ao lado. Pagavam tudo e gastavam em bebida essencialmente em bebida. Faziam os filhos e partiam, para no dia esperado regressarem como animais, numa camioneta amontoados, aos gritos eufóricos.
Depois de ter assegurado o meu lugar, confiavam-me o dinheiro que restava, que eu depositava na cidade em seus nomes.
Casei por correspondência, com uma rapariga do Continente. Primeiro que ela se habituasse `aquela vida, foi um castigo, mas depois com o tempo, deixou de sentir o cheiro a catinga, deixou de pensar no calor. Ajudou-me bastante, aprendeu a lidar com o negócio e sempre foi respeitada por toda a gente. Até pelos camionistas que passavam a noite por ali a fim de satisfazerem as suas necessidades. As estradas eram infindáveis e precisavam de descansar, precisavam de uma mulher e as negras nunca tiveram complexos, foram sempre muito receptivas, muitas vezes a troco de coisas sem importância.
Quando nasceu o meu filho? À quando nasceu o meu filho foi o melhor dia da minha vida. Cresceu com os outros meninos a brincar junto à venda por baixo do embondeiro. Ainda bem que resolvi manda-lo para os Avós a fim de que estudasse no Continente e também porque a guerra começou nessa altura. E então tive medo, não é natural ter medo? Tive medo por ele não por mim. Era o nosso único filho, se eu tivesse outros, mas só tinha aquele, compreende. Apesar de eu sempre desejar ter outros mas Deus só me deu aquele. E as pretas? As pretas tinham tantos. Eu só tive um. Havia que protegê-lo por isso è que o mandei para os avós. Estava melhor na aldeia que ficava perdida na montanha, e podia ir á escola que ficava perto, depois não havia o perigo da guerra ou mesmo das feras, não havia o perigo das febres e todas aquelas doenças tropicais. Como aquela que me deixou incapaz de voltar a fazer um filho. Quanto ao negócio? O negócio prosperava, sempre fui uma pessoa respeitada, até que a independência... Olhe a independência, deixou-me sem nada. E tive que regressar



































